30 de nov. de 2011

O BALANÇO DO ANO

São Paulo, 30 de Novembro de 2011.

Eis que novembro acaba. Estou morando em São Paulo há quase um ano agora. Como explicar o sentimento de que o tempo voou e que também os dias se arrastaram para passar?

     Eu mudei? Não, na verdade não. Tenho novas peças no armário, um cigarro na bolsa e novos contatos no celular, mas – mesmo com algumas rugas em ascensão, lutando pelo seu espaço no retrato – a imagem no espelho é a mesma. Os mesmo olhos castanhos que eu vejo me olham de volta.

     Será que, no fundo, sempre serei a menina que espera os pais na saída da escola?

     A cidade pelo menos mudou sua imagem pra mim. Não parece mais um gigante, mesmo que continue sendo uma selva de pedra.

     Agora as suas esquinas e restaurantes já fazem meu coração chorar por um alguém, que não foi. Minha casa tem mais cara de “minha casa”. E já posso discordar dos paulistanos quando eles afirmam que o metrô é a melhor opção.

     Agora mesmo passo por um shopping que me lembra um “foi”, agora decorado de Natal que me remete à um “fora”.

     A cidade pisca natalina e minha energia de final de expediente falha. Estamos todos exaustos e ansiando por comemoração.

    Com a chegada do final do ano também vem o “balanço analítico” – meus pedidos de réveillon aconteceram? A calcinha amarela funcionou?

    Minha virada foi regada à fartura, amor, amizade e sonhos. 2011 foi um ano de vacas magras, seguidas desilusões amorosas, poucos – mesmo que valiosos – novos encontros e uma vida adulta gritada de realidade.

    Me pergunto se esse ano que terá um 31 de trabalho no escritório, com pequena, ou nenhuma, comemoração, distante dos amigos e solteira, me trará um 2012 diferente.

   Será que os opostos realmente se atraem? Não sei.

   O que eu sei é que cantar “adeus ano velho”, com ou 7 ondinhas, sempre me emocionou e sempre vai.

   É, continua a mesma. E com olhar de criança que espera, vejo o ano novo chegar para me buscar. E, só para não perder o costume, insisto no eterno passado sonho. Novo endereço, mesma essência. E lá vamos nós continuar a história e virar as novas páginas do calendário.

Nenhum comentário:

Postar um comentário