São Paulo, 2 de Julho de 2011
Relendo textos antigos a gente percebe que a evolução é uma coisa lenta. Todos eles falavam sobre tristeza, auto-controle, amor, carência. E passei pela França, Rio, trabalhei na Globo, me demiti, me formei, me mudei pra São Paulo e resolvi ser atriz...
Na verdade evolução é um assunto que anda me perseguindo ultimamente. Impressionante como não é algo linear. Você estar bem hoje, ter uma epifania, uma boa sessão na terapia, uma decisão audaciosa, não significa que o amanhã vai ser melhor ou que você vai andar pra frente. Às vezes ao contrário - talvez não exatamente o inverso, mas não necessariamente as coisas fiquem mais fáceis.
Acho que crescer e se conhecer é um longo caminho mesmo. E não é reto. (O que não vale é ser em círculos). Às vezes eu queria uma bússola.
Ando revendo conceitos -alguns saudáveis, outros nem tanto. Ando me entregando mais, me permitindo mais. A arte é o mais positivo. Ouso (bregamente) dizer que interpretar, dançar e cantar são coisas que não pagam minhas contas, mas que me dão felicidade. Agora, odiar fumantes e estar se viciando em cigarro já é um outro nível de novidade. Mas acho que, na teoria, é tudo semelhante: permissão, experiência, experimentação, menos culpa. Está sendo mais bom do que ruim, porém mais intenso. (O que piora o ruim.)
Continuo perdida.
Lara, qual o próximo passo? Não, não adianta insistir, não sei “deixar a vida me levar”. Vai ver plano que me dá tesão.
(E quando eles acabam?)
Tenho projetos. Não chegam exatamente a serem meus... Não sei explicar.
Claro, quero ser uma atriz melhor, sei que cursos quero fazer, o que melhorar na casa, o que evoluir na terapia, quero meditar, continuo com minha mania de listas de afazeres e pedidos... mas... De alguma forma não é isso. Sinto que estou deixando algo escapar. Me entende? Com quem estou falando, afinal?
Hoje falei com Deus, mas basicamente só dei “oi”. Nem sabia o que dizer. Estou triste, mas também não chorei. Não quis ligar pra ninguém. Não quis arrumar a casa.
O que é?
Esses cigarros...
Amanhã tem ensaio.
Acho que vou dar uma de "meu amigo médico" e escrever um fluxo de idéias, sem censura. Me irrita ficar pensando em alguém lendo isso. É prepotente e esnobe.
Gosto de fumar, me dá prazer. Me dá "barato". Relaxa. (Essa porra vicia mesmo).
Acho que estou crescendo. Será que é isso que está sentindo estranho?
Bem que uma amiga disse que meus sonhos são meio isso. Ando cuidando de mim. Não muito bem, confesso. Acho que não sou uma boa mãe de mim mesma. Mas me mimo.
Acho que quero um emprego. Quero voltar a me sentir produtiva.
Sabe, gostei dos meus textos. Mais do que eu imaginava. Quando foi que eu me convenci que eu escrevia mal?
(Acho que no mesmo dia que me convenci que era frágil... hahaha. “Aquele dia lá” que me escapa da memória.)
Queria meus ex de volta. Queria amor verdadeiro. Queria companhia. Sempre caindo nisso... Coisa chata.
Será que toda mulher é assim ou só eu? E não adianta perguntar pras outras porque é raro as pessoas serem sinceras. Elas gostam de fingir uma modernidade e independência. Não por maldade, às vezes para elas mesmas, nem sabem.
Se bem que hoje o Pet, meu amigo e só, me faria feliz. Acho que queria falar mesmo. Ser ouvida, na verdade. De verdade. Faz tempo que não me escutam.
Falam, falam... Desabafo até com as pessoas, mas falar mesmo, sabe? É diferente.
Será que minha terapia está sendo inútil? Não ando gostando de ir lá. Essa é uma outra verdade.
E o curso de meditação? É, lá é mais espaço pra “silêncio”, como ela diz. (Que saco)
Falando em verdade, pensei uma coisa hoje. Não chega a ser uma novidade suprema, mas acho que nunca formulei com tamanha clareza: não quero, de fato, me livrar da minha depressão. Acho ela cult, acho que me dá conteúdo, vivência, me vitimiza, me permite pedir atenção, me dá vantagens. Odeio essa verdade, que já me jogaram na cara, que eu sofro de "auto-piedade". Bleh! Expressão horrível, definição cruel.
Acho que o cigarro é um pouco essa idéia. Essa fachada de melancolia individual reflexiva. Me lembra uma amiga de faculdade. Vaca. Tenho inveja dela. Pronto, falei. (Feliz, agora?)
(Lara versão adolescente?)
Pessoas felizes parecem rasas, superficiais, cegas, ingênuas, burras e nada artísticas e sensíveis. Quando a Andréia Beltrão disse com sua personagem em Som e Fúria que tinha medo de ser organizada e adulta e, por conseqüência, deixar de ser artista, acho que me identifiquei... É meio isso.
Pensamento besta, mas é muito verdadeiro.
(Quando eu me convenci disso também?)
É esse esteriótipo do culto boêmio sofredor, que sente e chora, e cria em suas crises.
Até porque as únicas pessoas que não são deprimidas, mas que não são idiotas que eu consigo pensar são hippies e naturebas, o que me dá preguiça. Parece tão falso e forçado quanto.
Deve haver uma solução...
Somos todos um “tipo”?
Artístico? Hippie? Atlético? Nerd?...
Se a resposta for “sim”, não consigo me imaginar pertencendo a outro. Estou há tanto tempo no mesmo... que já me pertence.
Taí! Lenine! Ele parece feliz e não parece idiota. Se bem que ele parece meio hippie.
Trocar cigarro por maconha, grande merda. Ainda vai me dar mais trabalho pra comprar.
E não adianta vim com hipocrisias de negar o “pacote” do tipo. A-con-te-ce.
Também não quero ficar contando quantidade de carboidrato. Quero ser magra, ok, mas esse papinho enche meu saco.
(Momento crise de grupo social.)
Essas horas que ter um ex-namorado antropólogo por perto seria útil. Mas ele é meio extremista, não sei se ia esclarecer muita coisa. Acho que ele ia ficar mais me julgando do que me ajudando a pensar.
(Viado)
Sério, não consigo pensar em ninguém que eu admire - pessoa, celebridade, personagem - que não tenha um perfil levemente depressivo, com crises e etc.
Será projeção minha ou busca e admiração que me levam a ser parecida?
(Quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?)
Acho que pensar por ai não vai me levar muito longe...
(Gostava mais da outra marca de cigarro)
Aposto que a minha terapeuta, se lesse isso (lá vou eu de novo) ia dizer que eu estou me questionando demais. Mas evoluir não é isso? Porra, to ficando depre e não quero (ou quero?) e estou tentando entender o processo, os porquês.
Vamos lá: ela disse que a palavra “depressão” é de-pressão - vem de pressão, pessoa que sofre pressão e precisa “aliviá-la”. Estou sofrendo pressão? Me pressionando? Por isso melhor parar de me questionar?
Nem estou afim de virar uma ameba, obrigada. Ela deve ser mais feliz, mas... até aí.
E se formos todos depressivos e eu começar a parar de me preocupar com isso?
Sério, porque estou pensando aqui e não me vem ninguém de útil feliz na cabeça.
Me vem a minha ex terapeuta dizendo que sou muito 8 ou 80 achando que as pessoas são “tristes” ou “felizes”, que são momentos, que eu fantasio a realidade, lbalbabla. À merda.
Quero parar de fazer terapia. Será que meu primo está certo? Terapia pra que? Ou o Osho dizendo que ninguém recebe alta de terapia, que é “efeito-cebola”, sempre tem uma camada depois da outra, que é sem fim. Ou o amigo médico, dizendo que terapia é só pra achar os problemas, resolver é com a gente mesmo.
Queria mesmo era usar a grana da terapia e fazer dança contemporânea...
(Minha mãe me mata - a dona do dinheiro)
Mas, com quem eu posso conversar essas coisas? Se bem que com a terapeuta eu não estou conversando.
(Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa)
(Porra de cigarro que acaba rápido)
Ok, acabei de perceber que minha compulsão é generalizada a qualquer coisa que dê prazer. Pelo menos não é só por comida e relacionamentos... Podia ser esportes, (né, vidinha?)
Que esporte tem minha cara? Google?
E aí vai...
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