30 de nov. de 2011

OUTRO TEMPO, OUTRO ENDEREÇO - MESMA PESSOA

Rio de Janeiro, 1 de maio de 2010

   Viagens de ônibus sempre em atraem. Elas são uma pausa na correria. Uma agradável sensação de se estar sentado (se tiver sorte), mas andando... Uma inércia em movimento que te permite viajar nos pensamentos enquanto um outro alguém te leva ao seu destino por 4 reais e 70 centavos.

   Não deixa de ser também uma oportunidade para olhar o mundo como quem está de fora, numa espécie de bolha antropológica que enquadra a cidade em uma janela e te deixa alheio ao sofrimento que é a realidade carioca.

   Me peguei várias vezes me desligando do ambiente interno do ônibus ligando no máximo a música do mp3... mas é tudo uma ilusão. A verdade é que em uma mão está o mp3, o escapismo da trilha sonora para meus devaneios, e na outra está o celular, meu contato certo e imediato com o outro, com o trabalho - meu destino. (Trata-se de uma incoerência tão grande como a de ir para Pasárgada e leva junto um GPS, ou então sair de férias e levar um relógio...)
   
   O fato é que a viagem, a música, a ida e a volta são só distrações para meus olhos para ver se entretenho minha mente e faço ela não se torturar muito... Às vezes bate uma solidão...

   Hoje mesmo acho que fugi de uma barca furada. Um ex meu que eu morro de tesão e confusão me chamou para visitá-lo em São Paulo para me contar umas novidades e pedir uns conselhos... E eu aqui, querendo carinho, louca para ter paixão, suspirando sem ter pra quem, idealizando encontros e declarações e morrendo de medo de ouvir que ele se descobriu gay ou que está afim de alguma amiga... Não sei se meu coração que “já bate pouco de tanto procurar por outro” agüentaria...

   Troquei isso por um filme romântico de prateleira e muito chocolate de supermercado...  Uma colega minha me disse “Quer romance, compre um livro”. Essa frase anda me perseguindo pelas esquinas da vida e temo que ela seja verdadeira e me alcance. Não poder - não saber - como continuar em frente, seria o fim.
   
   O casal feliz dentro do ônibus hoje olhava a janela e trocava carinhos. Odeio casal feliz. Detesto ônibus. Saudade de andar de ônibus com namorado... Saudade de ter um namorado, de cafuné, de dormir de conchinha, de olhar para a mesma paisagem passando.
   
   Nunca fui das descrentes, de achar que amor não existe, de jogar a toalha, de não ir atrás e, sinceramente, de ficar sozinha. Mas ando cansada, querendo algo mais verdadeiro, que não seja tão no laço, que aconteça sem que eu planeje, que seja especial, que me pegue desprevenida e me tire do chão. Mas como isso pode acontecer se minha ansiedade é maior que tudo?

   Ultimamente ando com papo de tia. Acho que no mundo, ou pelo menos no meu, só existem 4 tipos de homens: os casados, os gays, os galinhas e os que são mais de um desses casos ao mesmo tempo. Triste essa contagem.

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