30 de nov. de 2011

INSÔNIA

Nice, 19 de Março de 2009

Momentos filosóficos

Faz alguns dias que ando pensativa. Não sei dizer se são as mudanças, se é a distância, se é a inquietação da joventude, se é o choque cultural ou se é tudo isso junto. Só sei que ando tendo meus momentos filosóficos. Estava outro dia mesmo falando disso com dois amigos e eles estão com o mesmo sentimento.

Nas minhas primeiras semanas aqui eu conclui que a geografia não muda a gente; que não importa em qual país estamos, somos ainda a mesma pessoa. Ultimamente me dei conta de que mesmo continuando a mesma pessoa, sair do conhecido ajuda a saber que pessoa é essa, a nos conhecermos melhor. Ando me redescobrindo por aqui.

Final de semana eu fui no Museu do Chagall e me senti tocada de tal maneira... Não digo pela grandiosidade dos quadros ou pela importância que o artista teve na história da arte – ate porque quadros renomados a vezes não nos dizem nada -, mas por ver pelos “olhos do outro”.

Parece tolice, mas somente naquele momento senti que o quadro é o ponto de vista do artista. Afirmaçaã banal e óbvia para quem estuda cinema e ja ouviu isso inuúeras vezes, mas senti-la e verdadeiramente entende-la diante de si emociona.

Era uma exposição de “janelas”. Chagall mostrava em seus quadros pessoas olhando paisagens pela janela - um segundo enquadramento dentro de um primeiro. De repente lembrei porque escolhi fazer cinema. Aquela exposiçao era o ponto de vista dele. Um mundo subjetivo, desproporcionalmente correto, com retas tortas e escalas aleatorias. Nao ha outra maneira de se fazer entender, de passar aquele sentimento do ser humano visualmente pequeno em relaçao as janelas e o que continha nelas.

A arte é egocentrica. Eu sou egocentrica. Arte é mostrar para o outro a sua maneira de ver o mundo. Quero mostrar meu olhar. Talvez seja por isso que a palavra “artista” tenha ganhado um significado tao pesado e esnobe.

Talvez então seja esse meu encanto pelos efeitos especiais. Sem comparações, mas quero eu também, como Chagall, poder mostrar meu mundo torto, fantasioso, desfigurado, do jeito que eu o entendo e não do jeito que ele “é”.

Um professor meu da faculdade me disse outro dia que o importante não é escolher o melhor enquadramento, mas sim o melhor ponto de vista...

O mundo em crise, Estados Unidos caindo, e eu aqui, com insônia, pensando em Janelas...

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